Pétalas

Até mesmo entre o concreto inerte, vicejam delicadezas.

Que Persiste

Ainda em meio à escuridão, subsistem belezas que, em silêncio, irradiam.

Delicadezas

Que a pressa não nos furte a delicadeza das flores.

Eco Alheio

O que és nasce da tua trajetória — não das vozes alheias que a deturpam.

Sua verdade

Sua história de vida define quem você é — não as fofocas que contam sobre você.

Guarda-te

Não te percas de ti mesmo; nem deixes que extingam o brilho que te habita.

Essências

Nunca se perca da sua essência, e jamais permita que apaguem sua chama.

Em Vós

Sendo amar-vos minha perdição, procurai-me nas sinuosas curvas de vosso riso.

O poeta contra o tempo

Diante da frieza do tempo, que passa sem remorso —
a angústia da finitude.


O poema é estático;
mas o tempo, carrasco, segue em fluxo.


E nessa discrepância entre obra e vida,
tudo escorre pelas linhas do tempo —
e o poeta, impotente, apenas escreve.

O desbotar

Um poema que carrega o próprio cansaço não esbraveja contra o tempo; apenas observa — com a lucidez amarga do seu dissabor.

Às Margens de Mim

Entre o que sinto e o que dele sei, há uma vastidão quase infinita de excentricidades.

A Lavra de Si

Não há plenitude sem que se rasgue o campo e se lavre, em si, o solo fértil da autenticidade.

Raízes do Ser

Vive-se em plenitude quando o ser se assenta no solo fértil da autenticidade.

Ruídos Noturnos

Na calada da noite, vêm barulhos mudos — mas ensurdecedores — que a minha mente produz.

Ecos:

Que não nos tornemos surdos ao clamor do tempo, cegos diante da injustiça,
nem mudos perante a verdade.
Que não sejamos ecos da caverna de Platão, preferindo o conforto das sombras à dor de enxergar.

Jogo favorito I

Cada passo teu ressoa como feitiço, dissolvendo as margens do que sou.
Tento manter-me na escrita — mas as letras tremem, hesitam, falham.
O balanço hipnótico dos teus quadris desarma meu verbo, dispersa minhas rimas.
É um balé blasfemo que me despe da razão.

Jogo favorito II

O balanço hipnótico dos teus quadris invade meus pensamentos, dissolvendo palavras antes mesmo de elas tocarem o papel.
Tento escrever, mas é o pecado do teu andar que desliza por minha mente, roubando-me a razão.

Jogo favorito III

À frente, uma janela — belo contraste com o entardecer. A luz da tarde desenhas-te com reverência. Os raios alaranjados do sol revelam teus contornos, enquanto teu olhar vaga distraído: olhar de quem apenas vive... mas vive como um espetáculo íntimo, só para ti.

Jogo favorito IV

A passos leves, quase sagrados, graciosos e sensuais, teus quadris balançam num compasso lento, dançam num desfile cruel, tão naturalmente erótico que até o silêncio suspira. És a encarnação do feitiço que se derrama em mim.

Jogo favorito V

O contraste daquele sorriso angelical com o desejo quase pagão que tua presença desperta é um tipo de tortura bela, uma poesia coesa, versos atravessados entre presente e devaneio.

Jogo favorito VI

És como uma valsa, uma dança do acasalamento — um jogo perigoso que, majestosamente, sabes jogar.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.

Jogo favorito VII

Meus olhos pousam em tuas pernas desnudas, atrevidamente descobertas.
Tua pele bronzeada, os pelos eriçados — meu desejo arde em labaredas contidas, inflamadas por chamas inconfessas.

Jogo favorito VIII

Escorregas para o meu colo, sentando-te como quem reclama um trono.
— “Fale algo bonito para mim...” — sussurras.
— “Tu és o poema que me arranca a lucidez,” — digo, arfando. Sorris, remexendo devagar.
— “Então, declama-me...” — diz mordendo o lábio.
Uma métrica perfeita, libidinosamente obedecida, sílaba por sílaba, tercetos e quartetos das tuas rimas.

Jogo favorito IX

Sussurras quase inaudível, enquanto arrastas minha mão para teu recôndito paraíso — um jardim de névoas úmidas.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.

Vazios de Si:

Vivemos numa era onde as pessoas são tão cheias de razão e tão vazias de si.
O pior, porém, vem daqueles que abdicam da realidade
para habitar um mundo imaginário —
por vezes autoritário, talvez confortável para si,
mas sempre opressivo para os outros.
Aí não há diálogo: há imposição de vontade.
E quando o bom senso deveria prevalecer,
voltamos ao início:
são tão cheias de “razão”
e tão vazias de si.

Quem trilha só o próprio caminho aprende que a solidão é o preço a pagar.

Estradas prontas

Muitos seguem estradas prontas; poucos têm coragem de encarar o próprio destino.

Caminhos

Há caminhos que não nos levam a lugar algum, e outros que nos levam de volta a nós mesmos.

Paisagem prometida

Nem todo caminho revela a paisagem prometida, mas todo caminho revela o ser que o percorre.

O que sou?

Prefiro ser admirado pelo que escrevo do que pelo que sou, pois nem tudo o que escrevo é o que sou, mas, tudo o que sou, é o que escrevo.

A trilha

O saber não é uma montanha, mas sim uma trilha: jamais se alcança, apenas se caminha.

Desejos íntimos

Atiças-me com sorrisos, desnudas minhas vontades, para ter-te cativa em vossos desejos íntimos e em vossas fantasias que, em silêncio, desabrocham ardentes.

Autenticidade vs. Aprovação

Não precisar corresponder à aprovação alheia nunca é simples, mas ter personalidade é entender que viver para agradar aos outros é deixar de existir para si.

Bocas vazias

É inquietante saber que tantas bocas vazias ainda fazem tanto barulho.

Do Pouco

Porque quero tudo o que o pouco pode me dar,
Não me farto do pouco que ainda tenho, mas
também não me contento com o que ele me traz,
desejo mais daquilo que posso fartar.


É do pouco e com pouco que muito se faz,
Mesmo tão finito, se ao infinito somar,
com o pouco e muito, muito hei de amar,
Porque quero tudo do que o pouco é capaz.

Empatia

Compreender nunca é simples. Mas quando se abre o coração, fica fácil a compreensão.

Passos

Cuida dos teus passos, para que depois não te arrependas dos espinhos que neles terás de carregar.

Ervas daninhas

Não permita que cresçam ervas daninhas onde se cultiva carinho e ternura.

Novas Trilhas

Muitas vezes é preciso correr riscos: seguir certas trilhas e abandonar outras.

Completar

O completar de que falo não é porque algo nos falte, nem porque haja uma peça ausente no quebra-cabeça. O completar de que falo é sobre pele, sobre encaixe, sobre dividir — e jamais subtrair. É encaixe na alma do outro; é dividir risos, os dias, as manhãs, as semanas e os fins de tarde… é dividir a Vida!

Meu silêncio

Meu silêncio é minha meditação: nele desço aos recônditos da mente, para desvendar a origem dos ruídos.

Coração Regente

O amor constrói pontes, ergue castelos e jardins, cultiva flores e frutos de paz, forja reinos onde o coração, outrora vassalo, repousa agora soberano — e, em seu trono, rende lealdade ao próprio mistério que o deu à luz.

Jardim da Mente

Sim, se tem algo que aprendi — e valorizo profundamente — é não permitir que o comportamento dos outros envenene minha mente, adoeça meu estado de espírito ou apodreça minha alma.

Elite do retardo

À elite do retardo em nada importam o povo nem a pátria — senão tão-só os seus interesses;
e, por tais desígnios torpes, vendem o povo como quem troca ouro por cobre vil.

Suspenso

Meu silêncio é como manhãs frias — lentas, demoradas — e, quando me dou conta, já é noite.