Mariposas

⁠A luz atrai as mariposas, mas o seu calor queima suas asas e as derruba. Jamais permita que a sua luz se apague. Aqueça corações.

Silêncio ante o Caos

Sim, se tem algo que aprendi — e valorizo profundamente — é não permitir que o comportamento dos outros envenene minha mente, adoeça meu estado de espírito ou apodreça minha alma. E sigo, ainda, nesse exercício constante.

Simplicidade

A felicidade pode estar num sorriso. Numa brisa leve, no vento que embala as folhas. Pode voar com um beija-flor, ou repousar na companhia de um pet. Pode estar num simples bom dia, numa boa tarde ou boa noite.
A felicidade pode viver num singelo — mas verdadeiro — abraço.

Ghost Love Story

Teus olhos esmeralda
não merecem des’águas,
que, em pranto e mágoas,
vertes silêncio — em calda.

Não chovas sobre mim,
não os deixes correr,
da mácula do teu ser,
que envenena teu jardim.

Não mateis minha sede,
nem me concedas fé;
pois puro veneno és —
tal dor que me sucede.

Tal luz vem de fora,
nas trevas a fulgir,
a coragem compelir,
d’alma morta d’outrora.

Quase posso sentir,
quando tocas meu rosto,
frio como o encosto —
tenho um rumo a seguir.

Tanta vida há lá fora —
e, cá dentro, nada mais.
Só a prece, só a paz,
que adoece quando choras.

Nada, nada há que consumir.
Tantas flores nesta cripta,
já sem lume, sem escrita —
nada mais em ti possa florir.

Tanta alegria na solidão,
que, em meu pesadelo,
cá dentro, em apelo,
só me alcança a escuridão.

Nem meu sono há de dormir.
D'este segredo, ademais,
que há onze anos portais —
roubam-me todo o sorrir.

Parece-te tão linda,
o que me desatina —
tal sombra não finda.

Tanto há por sentir,
mas nada há, cá dentro,
nem o rumo do advento
em nenhum possas ir.

Não reacendais esperanças,
não toqueis os esquecidos,
pois estes olhos enegrecidos
despertam-me lembranças.

Permita-me seguir.
Não chores sobre mim.
Pois, cá, demônios vis
hão de me consumir.






              _  🌒🌹 _

      Uma Dedicatória...   📖

Aos góticos — luto e alma ferida,
que amam à beira da despedida,
que tocam a morte como canção
e oram prantos em devoção.

A vós, que ouvis o que silencia,
que encontrais beleza na agonia,
e cultivas flores em cripta escura,
onde a dor é arte, e a arte é cura.

Este poema vos pertence, então —
não só lamento, mas invocação:
dança espectral, de dois abismos,
um feito de amor, outro — lirismo.

Que tais palavras, com frio e ardor,
ressoem em vós como antigo amor;
como um calor que, sob o jazigo,
ainda persiste, dormindo contigo.



— Deixo aqui minha dedicatória aos que, este mundo, habitam — belas almas, amantes da poesia.
Foi por este mundo que me prostrei, e pela poesia, palavra me tornei.  📖🌹

Aos Poetas

O poeta escreve como quem chora — palavras em lágrimas que mergulham nas raízes do mundo, florescendo no jardim silencioso d’alma: sua essência, a existência de seu eu indizível.

Há caminhos

Há caminhos que não nos levam a lugar algum, e outros que nos levam de volta a nós mesmos. 

Realidade Relacional

⁠Há algo que filósofos, sociólogos e cientistas vêm repetindo há séculos:
O mundo se organiza em redes de influência.
Se você joga verdade, compaixão, honestidade na rede — ela se fortalece.
Se você joga mentira, egoísmo, crueldade — o sistema inteiro apodrece.
Isso independe de religião.
É um sistema humano.
É realidade relacional.

Para o Bem ou para o Mal

O Bem e o Mal: duas redes paralelas.
É um ciclo vicioso e inconsciente. Somos parte de um sistema de rede humana — uma realidade relacional. Uma rede do bem. Mas isso também se aplica ao mal.

Fragmento(s)

Há uma inquietude ancestral que ronda os que amam — como um sussurro que vem como uma brisa fria, causando desconforto antes mesmo do gesto.
Amar é equilibrar-se à beira do penhasco; é abrir-se à vertigem d'alma, ao risco do indizível, ao veneno doce que fermenta e se fragmenta entre os olhos e o silêncio.

Porque o amor, quando verdadeiro, não se diz sem que se trema. Ele toca onde a razão hesita e onde o espírito, mesmo em sua altivez, se curva ao mistério.
Há no amor um toque simultaneamente sombrio e iluminado, que nos puxa para fora — e, ao mesmo tempo, nos arrasta para dentro, como se estivéssemos sendo desvelados aos poucos pela mão invisível do tempo.

Aquele que, ao falar de seu amor sem se envenenar d’alma, nem se deixa enveredar pela natureza das coisas criadas, guarda em si uma certeza estéril — e perde, sem conhecer, a mais desconcertante das experiências humanas.

Pois o amor que não transforma — e não se transforma —, que não arde nem desfigura, é apenas sombra do que deveria ser.
Um amor que se explica demais torna-se cálculo matemático.
Um amor que não transborda, seca. Ou apodrece no cárcere da contenção.

Minha natureza

É da minha natureza ser tormenta, e em meu turbilhão, ou se encontra força para voar, ou se sucumbe à voragem.

Confidências V

Ah, se soubesses, nobre dama, o calor que se acende quando o gelo percorre os recônditos da minh'alma, calor este que tem como causa a resposta que deras às minhas cartas. Permaneces aí, senhorita, com este olhar que desliza sobre mim como uma carícia muda, tentando decifrar os contornos da minha alma sem que eu precise dizê-los. E eu? Em pensamento observo-te da penumbra, absorvendo teus gestos, a maneira como teus lábios hesitam entre o silêncio e o convite, como tua respiração se entrelaça ao ar morno da noite, criando um compasso secreto entre nós.

Ao caminhar até o aparador da sala, o som das madeiras frias rangendo sob meus pés evoca-me lembranças antigas.  Ah, se soubesses...
O tempo se dobra ao desejo e se torna cúmplice do jogo que acontece entre sombras e a penumbra. Sussurros de um passado distante ecoam no tapete felpudo, ao pé da lareira que cintila feito estrelas. Estende-se sobre o sofá Chesterfield do século 18, sobre a mesa de madeira crua, levemente envernizada, nas janelas e nas paredes do corredor onde ainda repousam tuas pinturas. No chão, o perfume espalha-se no ar como um encanto, envolvendo a noite e adensando a atmosfera. És como o próprio crepúsculo, senhorita, uma mistura indecifrável de luz e sombra, de promessas e mistérios. Vultos, como amantes indiscretos, agora murmuram sobre a bancada da cozinha, no batente da porta, em seguida na cama, enquanto meus pés adentram o quarto. O ranger das tábuas sob o peso dos meus sapatos dava vida a um ritmo mais íntimo e familiar, os corpos ainda dançam na minha memória, como uma fogueira que recusa se apagar, trazendo à mente o gemido do pé da cama, testemunha maliciosa de momentos íntimos. 

A noite os envolve, e a penumbra dança nas paredes, ora revelando, ora ocultando fragmentos de uma cena, testemunhando a dança ritmada de tuas vontades entrelaçadas, a sobreposição de silhuetas. Era a linguagem silenciosa dos corpos, a coreografia sutil das mãos que se encontravam, dos olhares que se devoravam. Naquele instante, roubado à voracidade do tempo, o quarto se tornava um palco de murmúrios e ecos, que, no entanto, carregavam o peso da intimidade e da entrega. E eu, teu espectador, feito de aço e fogo, sinto-me irremediavelmente atraído para esta órbita invisível que se cria ao redor. São como fantasmas de heras antigas, ecos sussurrados em meus pensamentos com uma voz moribunda. 

Ainda guardo segredos, senhorita, mas há verdades que não se expressam em palavras — apenas se tocam, se sentem, se revelam no calor de um instante roubado. E talvez seja isto o essencial: não o que escondo, mas o que, em silêncio, convido-te a descobrir.

— TO BE...

Confidências IV

Mas há um sutil encanto no que não se revela por completo, um fascínio inerente ao incompleto. Um homem desprovido de enigma assemelha-se a um livro de páginas em branco, uma estrela sem brilho, um inverno tépido, sem a mordida gélida que nos lembra a sua natureza; uma noite órfã de luar, sem a pálida poesia que acalma a escuridão. E eu, cuja natureza jamais se inclinou ao fácil, fui moldado pelas agruras da existência. Se em teu olhar reside a convicção de me conhecer por inteiro, resides em um equívoco encantador. O que percebes são meros fragmentos dispersos, ecos distorcidos em um espelho multifacetado, preservando minhas dualidades intrínsecas.

Contudo, há noites – ah, as noites! – tais como esta, em que me indago se seria mais fácil render-me ao anseio fugaz de permitir, por uma única vez, que alguém adentre os meus domínios recônditos e interditos. Mas o receio é grilhão de carne, um algoz implacável, que transforma nossa vulnerabilidade em dureza inflexível, condenando-nos à fria imobilidade escultural. E eu, sou cativo da minha própria cidadela interior, com baluartes erguidos ao longo de incontáveis silêncios e artifícios

Por isso, habito este entremeio de penumbra e o crepúsculo, entre a chama interior e mistérios velados, um enigma cuja resposta reside nos imprevisíveis caminhos do destino.

E tu, senhorita? O que vês quando me fitas com estes olhos que tentam perscrutar na profundidade da minh'alma? Serias tu uma sonhadora, uma buscadora de verdades em meio aos sonhos, ou apenas mais um olhar curioso espiando pelas frestas da minha noite, olhos que tateiam o indizível, buscas acaso um vislumbre da verdade, ou apenas te perdes, fascinada, na ilusão. Serias tu apenas mais uma estrela curiosa espiando por entre as brechas dos meus segredos noturnos, das minhas confidências?


— TO BE...

Vendaval

Carrego nos passos o vendaval que arranca raízes.

Velha Teia

A vida é tecelã de equívocos — e eu, seu artesão. Foi preciso todo esse tempo, e silêncio, para que eu enfim soubesse: éramos felizes, e um só, naquela alegria feita de coisas simples e eternas em sua sutileza. O medo, esse velho espelho, é o sangramento de cortes já cicatrizados — agora, outra vez abertos. Arrasta-me para longe do que, até então, parecia absurdo, do que jamais ousaria conceber o coração.

Agora, a solidão fez de mim seu porto. Um cais sombrio, de névoa densa, onde só aportam naufrágios. Uma solidão mórbida, opressiva, que cala o corpo e embacia a alma. Mergulho no deserto empoeirado do nosso quarto, como um arqueólogo desesperado, escavando lembranças. Imagino que te vou encontrar — iludo-me — pois a vida é um campo de sonhos, e nada mais... nada físico, só sonhos dentro de outros sonhos.

Ah, que saudade das emoções que sentimos! São doloridas lembranças. As doces palavras que trocávamos com inocência e verdade. Vejo-me agora, já pedindo perdão por minha insensatez, imaginando: como seria nossa vida? Lentas e longas caminhadas sob o crepúsculo, os silenciosos serões em que eu passava horas a escrever, e tu, com tuas mãos divinas, bordavas frutas, flores, querubins...

De quando em quando, te acercavas de mim para contar as pequenas descobertas das crianças, os gestos miúdos da rotina. E então, minha alma interrompia a escrita apenas para ver, por meio de tudo aquilo, o reflexo mais puro do que era ser feliz contigo.

Abismo

Se meus poemas fossem uma imagem.
Seria a de um escultor de mãos ensanguentadas, cansado, parado diante de uma estátua que finalmente abre os olhos.
E ela, trêmula, ainda sussurraria: — “Valeu?”

Prefácio dos Deuses

A dama nívea, sob umbra prece, ora.
Um cântico aos velhos Deuses
Sob o seu pranto, o legado umbra aflora,
com um apetite que não sacia
Consumida em pecado de outrora.

Da antiga profecia, eis a proa
O antigo Deus há de tomar forma
Da mácula de alvor que ecoa,
A vergonha de sua graça esquiva.
Ecoa das ruínas em língua arcaicozoa.

A seu reino a noite sempiterna ativa,
sob o véu de breu que tudo cobre.
Um ancestral tornar-se-á carne viva,
com cheiro acre de terra e sangue pobre.

A dama nívea, sob umbra prece, ora.
Cantiga dos Deuses celestiais.
No seu pranto, o legado umbra aflora,
Qual trevas no âmago dos olhos,
Torna turva a vista, qual névoa que devora.

Tal negror de seus olhos caíra,
Que lhe maculam o vestido alvíssimo.
A profecia dos Deuses já se cumprira.
Sob sua formosura, destoa o desespero.
O eco dos antigos hinos ressurgira.

Ainda que finde por amor infame,
um laço de dor e volúpia impura.
Ungirá com prece o berço do infante,
sob a névoa fria que perdura.

Embora as sombras o mundo sele,
Lavar-lhe a alma em sangue e culpa
Saudando o ser das rúnicas delecele. *
Vindo à terra a noite oculta.

Vagando de seu lar, tão apartada,
A dama nívea, jaz sob sangue e pecado.
Sua alma sobre o abismo jaz deitada.
Donzela nívea, sob umbra orando ao lado.

No encanto de seus olhos de cristal,
Ao menos santa sua esperança é alçada.
Cantiga dos Deuses de outrora, afinal.
Em seu último pranto, a escuridão selada.





* “delecele” = palavra criada com sonoridade de “deleite + cele”; pode ser interpretada como um encantamento selador ou um cântico oculto.

Canção do Bardo - O Paladino e o Reino do Norte I-XIV

Sou um cavaleiro negro andante
Por trevas, vales e tormenta forte.
Um Paladino, buscando adiante,
O Reino florido, o vale do norte.

Jazo exausto e oscilante,
Deito-me aos braços desta sorte.
Rompo o encanto — paladino errante,
Sob névoa, tenho visto a morte.

Eis-me aqui, presente,
Sob dia e noite, viajante.
Sigo firme e persistente,
Até alçar meu fado distante.

Planeta Parla(mente)

Prefácio:
Crônica rimada de um mundo cheio de ecos.
Planeta Parla(mente) não é um lugar distante no cosmos.
É aqui — bem debaixo dos nossos narizes, microfones e promessas de campanha.

Neste mundo em que se fala mais do que se escuta, onde discursos fazem piruetas e verdades são editadas antes da vírgula — nasce este "cordel urbano", esta crônica em rima: um espelho torto da política global e local, com o sarcasmo de quem já viu demasiada peça.  Aqui, o que se oferece são ecos: das cúpulas dos planetários, das propagandas sorridentes.
Circo sem risada, bandeiras sem vento — murchas como a esperança deste que vos dita — e palcos cheios de atores que esqueceram que o povo não é figurante.
Planeta Parla(mente) é um convite ao riso amargo, à reflexão rimada, ao incômodo necessário.
Porque, no fim das contas, quem aplaude ainda é o povo — entre a esperança e o desespero.

Leia com ironia.
Mas também com os olhos bem abertos.
Talvez você reconheça mais do que gostaria.

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Planeta Parla(mente):

No planeta parlamento,
de reunião (quase) todo dia:
debates sem sentido,
e o senso... virou folia.

Presidentes fazem selfie,
enquanto o povo nem protesta.
Gritam, a paz que se fie,
mas compram bomba na festa.

Tem ditador de gravata,
e palhaço sem graça.
Muita promessa e bravata,
mas vendem até a praça.

Na cúpula dos planetas,
enquanto a ONU serve café...
Quem manda são os patetas,
sentados no banco, em ré.

A Terra gira cansada,
com os ricos no controle,
um circo sem risada,
mas o importante é o rolê.

Apertos de mãos na telinha,
nos bastidores, facada.
A verdade nas entrelinhas...
É que não passa de cilada.

Na novela bucolista,
o pobre no sofá da sala.
A verdade dá entrevista...
Mas cortam antes da fala.

Política e o teatro amiúde,
com mil atos, sem roteiro.
No fim, quem sempre aplaude
é o povo... no desespero.


A Política

...onde a palavra é moeda falsa, e o povo, o troco esquecido. 

Silente

A fala é tempestade e o escutar, um jardim esquecido — onde floresce a ausência do sentido.

Café da Manhã — Ele

1. — Entrada
ele
entra
entre
um
sorriso
discreto

2. — Olhares
xícara
vapor
olhar
perscruta
lento
desejo

3. — Inusitado
leve
brisa
esparsa
aroma
pela
porta

4. — Atmosfera
ele
respira
o
ar
de
ela

5. — Sutileza
cheiro
doce
perfume
acende
curiosidade
viva

6. — Destino
olhares
cruzam-se
e
o
destino
sela

7. — Invisível
sorriso
tímido
responde
aos
olhos
tagarelas

8. — Enlace
olhos
enredam-se
silêncio
profundo
sem
retorno

9. — Rompimento
um
leve
"oi"
voa
entre
medo

10. — Coração
esperança
desperta
mente
turbilhão
alerta
coração



☕ Café da Manhã — Ele
história contada em aldravias

Café da Manhã — Ela

1. — Chegada
chuva
forte
fria
molha
minha
alma

2. — Instante
café
quente
mãos
tremem
porta
abre

3. — Susto
um
susto
busca
o
olhar
transido

4. — Presença
ali
suspenso
no
ar
um
estranho

5. — Perfume
aroma
sutil
inusitado
invade
minhas
memórias

6. — Olhares
olhares
tocam-se
sem
palavras
tempo
para

7. — Sorriso
hesito
escondo-me
na
boca
curva
calada

8. — Mente
vagueia
em
mil
palavras
não
ditas

9. — Voz
um
"oi"
quebrado
flutua
tímido
incerto

10. — Coração
coração
vivo
pulsa
assustado
esperando
resposta



☕ Café da Manhã — Ela
história contada em aldravias

Depois do Café da Manhã: – Ele

No vapor daquela xícara,
Com o leite a esfriar,
O rosto dela a esmorecer,
Na meia luz do lugar.
Tão sereno, tão distante,
Algo a entorpecer.

Ele respira o ar sem pressa,
Tentando não se desfazer.
O cheiro do pão na chapa,
Doce, a envolvê-lo.
Um "oi" preso na garganta
Lutava por se soltar,
Mas o medo, velho amigo,
Insistia em calá-lo.
Fez do riso seu abrigo
Para tentar se aproximar.

Ela olhou — ele a viu, juro!
Raio de sol se fez a brilhar
No seu cabelo solto,
Os pensamentos a embriagar.
E o perfume o invadia
O deixou quase etéreo.
Foi ali que o coração
Desandou num tom sincero.

Voltou para casa no silêncio,
Com saudade do que foi.
Um instante entre mil horas,
Um segundo, e nada depois...
Ficou preso no começo,
No calor daquele "oi".



☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ele
História contada em Poema, continuação das aldravias.

Depois do Café da Manhã: – Ela

Era chuva sobre a alma,
Era tarde ou manhã.
Ela ali estava por impulso,
Carrega dor na mesma lã.
A fumaça do café
Toda em bruma, lhe enganã.
Então soa o sino
som e aroma temporã. 

Ele ali, tão visível...
Sem pinta de galã.
Entre o fechar da porta
Eles se viram — e mais que fã.
No copo a tilintar,
O burburinho do pão,
Ela sentiu o ar se embarcar
De um perfume que era novo,
Não na essência do cheiro,
Mas no jeito de ser povo.
O olhar dele era lento,
Feito vinho antes do estorvo.

Ficou muda, meio tonta,
Sem saber o que dizer.
Um sorriso quis nascer,
Mas morreu no se perder.
Hesitou entre o encanto
E o medo de se envolver.
A luz fraca da janela
No balcão a esvanecer.

Soltou um “oi” disfarçado,
E ele a respondeu.
Na xícara entre os dois
Um destino se acendeu.
Um coração na espuma do café
Com um adeus a predizer.
Ela foge de si tão cedo,
Que até hoje a se esconder.



☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ela
História contada em Poema, continuação das aldravias.

Epílogo (uníssono)

Do café só restam marcas
nas bordas de um coração,
duas bocas sem coragem,
dois desejos sem razão.
Mas quem cruza o mesmo sonho
já conhece a direção...



Epílogo (uníssono)  
Poema: Depois do Café da Manhã ☕ 

O Caminho

Nem todo caminho revela a paisagem prometida, mas todo caminho revela o ser que o percorre.

Lumiar

A mente que se crê sabia fecha-se à luz da sabedoria e ao quarto do tesouro, que só a humildade permite entrar.

O Saber Transitório

No grito, o homem cava seu próprio silêncio; na escuta, constrói sua grandeza.

Incêndio e Silêncios

No contorcer do corpo lascivo, 
o meu pensar divaga disperso
aos lábios que declamam em versos 
versos que rasgam véu paraíso.

Te leio qual livro indiviso
da boca ao umbigo e ventre
d'onde tu pulsas d'as margens quentes
Meus dedos, um ardente aviso

Febril, e entreaberta treme
tua voz arqueja agonia,
e tua boca em versos geme.

Te possuo, em fel fantasia, —
de corpo e verbo se consome,
sem pudor, verso e poesia.

Minha Pequena

Minha menina! Não tocarei tua pele feito brisa — colapsarei teu corpo.

Labirintos

Teu corpo é labirinto: me perco em ti, e nunca acho a saída.

Plenitude

És vazio, aquele que veste-se de soberba; é aprendiz, aquele que se preenche com silêncio atento.

A Corrente do Tempo

É sinal de maturidade reconhecer que o saber de hoje pode não ser mais a sabedoria de amanhã.

Suje(itos)

Todo sujeito está sujeito a "sujeiras" da vida.

Canéca de Café

Numa dessas manhãs, como um dia qualquer.
Enquanto os raios do Sol no horizonte a despertar,
dissipando a neblina soprando-a ao céu. 
Um diazinho frio – a brisa, o orvalho e um café.
Não há lugar melhor para se estar,
se não aqui, apreciando a vida tecer seu véu.
É se esticar e senti-la te abraçar, ganhar cafuné.
Ops! Ouvi, no silêncio de um segundo, alguém falar.
Impressão minha, logo desapareceu ao léu.
Então, voltei à minha caneca de café. 
Talvez tenha sido o canto dos pássaros!
O canto do sabiá era a sonata de Beethoven,
todos os dias no rancho de sapé.
Acordes e canções, agudos e ritmos!
Sons da natureza que os anjos promovem. 
Arte sonora como a patativa sobre o chalé.

No jardim, depois do sereno da noite fria,
as plantas mudam suas texturas e aspectos,
suas cores parecem ter sido retocadas,
pintadas à mão pela noite, doce cortesia.
Uma imensa galeria toda a céu aberto.
Como um quadro, uma obra de arte recém-pintada.
Na cerca de arame farpado se via,
no balançar da teia tomada por orvalho,
Ao ritmo do sabiá, dançava a aranha encantada, 
mas apenas para a gota no fim, derrubar.
Mastigando meu biscoito amanteigado
que acabara de sair de mais uma fornada, 
internamente, dou-me a gargalhar.
Sinto-me tão livre quanto um pássaro: 
Bem-ti-vis, bigodinhos, coleiros e pombos
dentre muitas outras variedades a revoar.
Da nuvem negra de melros sobre o arrozeiro
ao canto dobrado e o fôlego dos pintassilgos.

Os quero-queros com o gado o pasto a disputar.
Os sinos e os mugidos distantes das vacas-leiteiras
ao ruído dos tratores indo aos pastos cuidar. 
As colhedeiras de arroz tremiam o solo ao passar. 
Os gatos, doidos, corriam subindo nas videiras.
O nhambu ao longe vinha piando e piando
que visão linda até no quintal pousar.
As maritacas se assentavam nas goiabeiras 
logo o bando aos poucos ia se multiplicando.

Os patinhos e paturis no lago a se banhar
e o patriarca com seu estilo único de andar.
O beija-flor e seus romances do amanhecer.
Seu, beija aqui, beija acola, logo me inspira.
Era jardim de natureza diante do olhar.
Uma pintura da vida ao coração aquecer.
Assim eram as manhãs da vida caipira.
Na roça, a beleza é o que mais há de se encontrar.

Cartas Dicotômicas

Quem comigo navega deve saber: meu mar interior é tormenta, ventos, raios e trovões, e minhas palavras calmaria.

Ventania

Não sou nuvem de caber em céu sereno — sou o próprio uivo da ventania.

Essência

Não fujo da minha essência, pois é da minha natureza a busca pela chama da alma que pode queimar as frágeis pontes para o trivial, mas revelar a solidez do que verdadeiramente importa.

Rótulos Superficiais

Dizem por aí que sou arrogante, desinteressado, descompromissado. Na verdade, até me importo com algumas pessoas, mas a maior questão é, que, eu não tenho tempo para coisas triviais, sentimentos supérfluos... Gosto daquilo que verdadeiramente incendeia a alma, toca o espírito, que nos molda, que ressoa por dentro, que genuinamente nos conecta, entende? Gosto daquilo que é substancialmente verdadeiro.

Poesia Crua

A vi chegar incrivelmente bela, 
vestida apenas de sua nudez. 
O poema mais lindo a recitar, 
Curvas, traços... desejo em seu olhar.

Pecado irresistível

Quanto mais me inflamas, mais arde em mim o desejo por ti. Provoca-me até que eu te deguste, te devore como um pecado irresistível.

Graça

Ah, que suave graça seria, ter a leveza de uma alma poeta.
Mirar o mundo por uma janela secreta, e ver tudo em prosa e poesia.

A vida, enfim, se revelaria, em liberdade completa.

Profana Tentação

O lascivo pecado do seu andar desliza pelos labirintos moribundos da minha mente, profanando meus pensamentos.

Dança dos Segredos

No balanço travesso e hipnótico dos seus quadris, um verso impuro, libidinoso, sussurra-me desejos secretos à flor da pele.

Sementes

Meu afeto a semente,
meu carinho a rega;
Cultivo o chão perene,
sorriso que te alegra.

Soturno

Se for amor, não se pode ver!
Se for dor, tão pouco se sente!
Se for sorriso, seja condescendente!
Se for devaneio, como saber?

Ao tomar a vida por viver...
Se for o único meio, a escuridão...
Se for, não poder com o coração.
Se for inferno, amor não pode ser!

Se for inverno transitando a primavera?
Se for... Será devaneio colocar-se contra a dor.
Se for a morte ceifando do mundo todo o amor?
Se for assim tão contrário, o céu me espera!

Se estiver nos bosques a nova esperança?
Se for ponto de vista, solto aos anos?
Se for mortal a oração com enganos?
Se for assim, sirva-se de mim, doce criança.

Se for aquele de onde sopra o vento...
Se for da alma, por que gozo de dores?
Virgem tua imagem, em noites de fulgores,
Banhas minh'alma e a rota tento.

Se for amor, por que mágoa tanto?
Se amas rude o peito, dás à ilusão,
Que fazes o dia um copo de pranto.

O que poderei sem poder?
Se está presa em mim a noite,
Para matar-me soturno o bem-querer.

O que podereis contra o açoite?
Deita-me a lança do perder...
Até que a criança se afoite...

- 10/06/1996


*Poema elaborado com inspiração nas obras de Luís Vaz de Camões.
Trata-se de um projeto escolar desenvolvido há muitos anos.

A Semente

Compartilhar seus sentimentos sem reservas; é plantar no coração das pessoas a semente do amor-próprio, na mesma intensidade do seu afeto.

A tapeçaria da vida

A tapeçaria de uma vida bem vivida é tecida com fios de delicadeza e ousadia.

O Silêncio e o Eco

O futuro, que outrora fora palco de esperanças no avanço da humanidade, promessas e horizonte de progresso, hoje cambaleia à beira de um abismo. O ódio e sua disseminação, sombra crescente, estende-se sobre a razão, sufoca o diálogo, macula a paz.  Como um veneno insidioso, infiltra-se nas frestas da civilidade já fragilizada, erodindo os pilares, alicerces da coexistência pacífica.
As palavras, que deveriam ser pontes, tornaram-se lanças; os homens, que deveriam ser instrumentos de compreensão, veículos de instrução e diálogo, transfiguram-se em arautos da discórdia. Divergências, outrora naturais à condição humana, agora são fagulhas que acendem incêndios, pretextos para "protestos" inflamados, "justificativas" para o confronto incessante.
As plataformas digitais, concebidas como ágoras modernas, templos da troca de ideias, de conexões e relações inter-pessoais, transmutaram-se em arenas de embate onde no anonimato, escondem-se os fomentadores do rancor, propagadores do discurso de ódio, aqueles que destilam preconceito e semeiam a intolerância. O fogo da discórdia, antes restrito a nichos extremistas, alastra-se como labareda indomável e alarmante, alimentado pela desinformação e pelo propósito velado dos "desinformantes" que lucram com a polarização.
O ódio não chega com estrondo; rasteja. Não se impõe de súbito; infiltra-se. Como um parasita silencioso, nas brechas da ignorância e da intolerância. Veste-se de "minha justiça", camufla-se de "indignação" legítima, disfarça-se de identidade. No entanto, sua essência é corrosiva—dilacera a paz, fere a convivência, perverte os princípios sobre os quais a moral e a fé se erguem. E, paradoxalmente, muitos que proferem seu nome ainda se dizem cristãos, tementes a Deus.
Silencioso e contínuo, o ódio rasteja-se por entre palavras e atitudes, serpenteando entre discursos inflamados e pensamentos contaminados, se nutre da polarização e se fortalece com a manipulação de levianas teorias criadas para servir aos interesses próprios. Constrói muralhas intransponíveis entre os homens, sustenta-se na mentira travestida de verdade, no medo e desinformação, cresce na ignorância que se acredita esclarecida. Até que se torne incêndio voraz, até que consuma tudo ao redor, tornando-se quase impossível de ser apagado.
Se este curso não for interrompido, e a escalada não for contida, o que restará? Um mundo reduzido a cinzas, um mosaico fragmentado de ruínas onde a desconfiança suplanta o respeito, onde as vozes dos outros são imediatamente silenciadas por não coincidir com a própria. A história já nos mostrou, inúmeras vezes, os perigos desse caminho. Ignorar suas advertências é condenar-se a revivê-la, num ciclo de erros com consequências devastadoras que apenas se repete, mas nunca ensina.
Lideranças, que deveriam conduzir, guiar e moderar, ser o exemplo, por vezes, são os que inflamam as paixões mais vis, aqueles que incitam à violência e se alimentam do caos, buscando no caos a validação de seus próprios interesses. Líderes que, em vez de serem faróis, tornam-se tochas de fogo ardente, incendiando os que os seguem. E as massas, vulneráveis ao encanto das palavras fáceis e promessas envenenadas, retórica simplista, abraçam ideologias extremistas, marchando cegamente rumo ao precipício da intolerância.

Este mundo, o único que temos, deveria ser lar de todos e para todos—sem distinção de cor, origem, crença ou nação (alinhados como é os ensinamentos de Deus). Mas a intolerância, a ganância o transforma em uma "guerra fria", onde a diversidade é vista como ameaça, onde a diferença se torna razão para perseguição. 
A compaixão e a empatia, outrora estrelas-guia da humanidade, valores fundamentais, hoje são lançadas ao esquecimento, enquanto o ódio pavimenta o caminho que leva algumas "pessoas" de desejos insaciáveis ao poder absoluto de controle e manipulação. O futuro, que deveria ser luminoso, promissor, inspirador, veste-se de sombras. Um futuro que poderia ser grandioso, ameaça desmoronar, ruir, incerto e sombrio sob o peso do ódio. A humanidade, em sua cegueira, se aparta, se estilhaça, se fragmenta, caminhando sobre um fio tênue entre o existir e o perecer.
É imperativo que se restabeleça a importância do diálogo, que se resgate o seu valor, que a empatia seja reerguida, que respeito às diferenças seja compreendido, não temido, pois somente assim poderemos evitar que o ódio se torne o princípio dominante de nossa era.
Antes que a última centelha se extinga, antes que o silêncio da indiferença e a exaltação do conflito consumam o que ainda resta de esperança.
Pois se nada for feito, restará apenas o silêncio e o eco ensurdecedor da discórdia.




Artigo - Prosa Poética. 

"Uma reflexão sobre a crescente disseminação do ódio na sociedade contemporânea e seus impactos na convivência humana. Uma análise crítica sobre como o ódio, impulsionado pela desinformação, pela polarização e pela manipulação, se alastra silenciosamente, corroendo valores essenciais da sociedade."

Confidencias III

Contudo: — Poderia eu, senhorita, desfazer os nós do tempo e ofertar-lhe a essência que me habita?
Pois bem sei que estás à espera de que eu diga, com detalhes, todos os efeitos que esta solidão tem causado em mim. 
Ah, mas seria em vão! Pois sou feito penumbra e crepúsculo, de um aço forjado nas chamas de invernos antigos. O que pulsa em mim não se expõe ao olhar fugaz, nem se rende ao toque da curiosidade. Antes, esconde-se nos interstícios da noite, entre as dobras de um lençol de linho, num silêncio ensurdecedor, onde os ecos do passado ainda sussurram suas verdades interditas. Como um dançarino habilidoso, movo-me com a graça de uma valsa pelos intricados passos da vida, sempre um passo à frente, conduzindo a dança das sombras que espreitam nos recantos mais escuros da existência. Mas há uma verdade mais profunda, um segredo que guardo com fervorosa devoção, como um tesouro sagrado oculto nas minhas profundezas. Pois mesmo eu, senhor do meu destino e emoções, encontro-me às vezes à deriva em mares tempestuosos, lutando contra as correntes que ameaçam arrastar-me para o abismo do desconhecido.
Ah, se soubesses, senhorita, das chamas que me aquecem quando o frio se insinua pelos corredores d'alma, das velhas madeiras frias que percorrem este corredor afora, por teus intrínsecos rangidos ao se aquecerem com o baforejar quente da lareira, a desnudar minh'alma a mostrar-lhe os labirintos onde minha mente vaga. Ah, se soubesses o peso que carrego, os segredos que se enroscam em meus pensamentos como ecos de heras antigas, sussurrando com voz tremula em meu ouvido histórias que jamais serão contadas, entenderias por que me resguardo no mistério. São como brasas vivas aprisionadas, memórias incandescentes que atiço como quem reacende um lume esquecido e que, mesmo ocultas, iluminam os subterrâneos do meu ser. Mas guardo-as com zelo, como tesouros afundados nas marés do tempo, selados em baús de ferro que nem as estrelas ousam violar.

— TO BE...

Laço invisível

Amizade é o laço invisível que cresce quando o que é verdadeiro encontra o coração.

Ritmos - Poesias - Alegria - Felicidade

Alma em luz, sorriso que floresce,
Quando a vida, em dança, se revela,
O coração em ritmo, se aquece,
Na felicidade, a alma se modela.

Nobre Virtude

Nobreza, é a arte de ser gentil, educado e inspirador.
Riqueza, é possuir tudo isso e, viver na grandeza da simplicidade.

A Essência no Vazio

Busquei no longínquo do espaço
o fulgor extinto de minh’alma,
onde a matéria escura repousa,
e o tempo segue em compasso.

Lá, onde as nebulosas tecem seu véu.
onde os astros se forjam em fogo,
procurei-me, nas cinzas do tempo,
a gênese antiga da vida no céu.

Quis decifrar as regras do jogo,
a origem dos mundos em brasa,
o verbo calado nas trevas,
antes da luz rasgar-se em fogo.

Lá, onde planetas despertam no nada,
procurei, a essência do tempo,
do espaço, a tecer seu manto,
a gênese antiga da vida sonhada.

Mas ainda ecoa, sutil, a questão:
de onde eu vim, para onde vou,
um ser mutável: e o que sou?
O que fica, senão a interrogação?

São perguntas que rasgam o tempo,
inscritas nas vísceras do pó sideral,
sussurros eternos, e ao vento, 
num canto tão fugaz, e imortal.

Entre poeira e eternidade,
o silêncio e a explosão,
eco existencial, a trindade.

Mas nas brumas do verbo, 
ecoa errante na vastidão,
o tempo o espaço e o verso.

Confidências II

Começo por dizer: - Poderia eu ter sido um anjinho doce, mas me desculpe, não nasci para ser meigo!
Nas horas naus, pego-me em pé a pensar, fitando pela janela o mundo lá fora. A vida, irônica, nos molda conforme seus caprichos, como um magistral escultor esculpindo figuras nas nuvens passageiras do crepúsculo, que em vão tentam esconder a bela palidez do luar. Se tu, senhorita, soubesses as coisas que me aquecem nestas gélidas noites de inverno. Tais são como as brasas que cintilam nas chamas crepitantes do braseiro quando o remexo com o tridente, um fogo secreto que consome silenciosamente a solidão da minh'alma nestas noites frias. Mas não, guardo-os no abismo do meu ser, um tesouro secreto, oculto até mesmo das estrelas que espiam curiosas por entre as brechas das nuvens.
E assim, aqui estou, diante de ti, revelando apenas fragmentos da minha verdadeira essência, envolto na sombra do mistério que me define. Pois não sou apenas um homem de aço e pedra, mas também um ser de sonhos e desejos, cujas confidências são tão frágeis quanto as asas de uma borboleta em um vendaval de emoções.

TO BE...

Lua, Luar

Ah, se eu pudesse tocar-te
desenhar-te com o dedo
Pálida, branca como gelo.
Solitário, hei de amar-te.

Ah, se eu pudesse descrever,
este encontro entre nós,
o desejo de estarmos sós,
no lampejo, dou-me a escrever:

"- O fino véu translucido,
banha-me de corpo inteiro,
que jaz prazenteiro, 
do meu eu, esmorecido.

Todo eu já combalido,
de minh'alma esvanecido,
pois, de ti entorpecido,
meu eu tenho carecido.

Hoje doudo por inteiro,
no silêncio matreiro,
Fugaz e sorrateiro,
ser d'alma poeteiro."

Ah, se pudesse o nevoeiro,
não me deixar arrefecido,
minh'alma teria oferecido,
como amante... fiel escudeiro.

Tão pálida sua luz sombria,
farta-me de tal maneira,
e ao meu coração esgueira,
quente dentre a noite fria.

A face da terra acaricia, 
luzente como um ser divino, 
toca nest'alma de menino,
que no gélido sereno, ardia.

Como amantes de histórias antigas,
Deusas, homens e meninos,
finda o espírito, tais desatinos,
nesta e noutras épocas vindouras.

Dominante o nevoeiro,
descansa no campo enegrecido, 
Pálida, repousa sobre o outeiro,
e finda o campo enegrecido.

Fogo Lírico

E o poeta escrevia noite e dia as incertezas de uma poesia que nele mal cabia!

do Amor...

A vida traça caminhos que, de início, não conseguimos entender. Porém, tudo tem o seu propósito e os propósitos gradualmente se encaixam. Percebemos, então, involuntariamente, que o querer é bem maior e mais sério do que qualquer obstáculo.

Uni(versos)

Sou feito o uni(verso), composto por luz, sombra, calor e frio, caos e confusão.

Confidências I

A noite mantém meus segredos enjaulados enquanto lhe escrevo.

Alma Torrencial

É da minha natureza ser tormenta, tempestade e tornado.

O Ser e o Sentir

Encontro plenitude no que sinto e o que sou, é o suficiente para mim e isso me basta.

O Tempo

Na maior parte do tempo,
é do tempo que sou feito,
do vazio, cheio ou imperfeito,
Na maior parte do tempo.

Horas, minutos e segundos.
Como se vazio, o peito,
em demasia, o deleito,
em transe e moribundo.

Na maior parte do tempo;
No vazio me aprofundo,
e me toma o passatempo.

Num mergulho profundo,
vagueio contra o tempo,
ansioso e nauseabundo.

Alvorada

Contar um conto, é a liberdade criativa de poder sonhar.

Leve & Breve

E que o vento leve
embora, e tão breve,
tudo o que for breve,
e o que não for leve.
E a espera seja breve,
o coração mais leve,
e a alma se eleve,
pois a vida é breve.

Hábito(s)

Do que é feito a vida?
- De acertos e erros, mas, o primordial é manter o hábito de sempre melhorar.

Puritanos

Pecado é adjetivo dado pelos puritanos para que você não faça tudo aquilo que eles não têm coragem de fazer.

Pertencer

Se me tens, é porque consegue algo de mim. Se lhe tenho é porque algo em ti, me pertence! 

Prisões d'alma

Certas prisões d'alma se libertam entre quatro paredes.

Sementinhas de afeto

Planto sementinhas de afeto para cultivar as flores da nossa amizade.

Tão próximos...

As marcas tatuadas em teu corpo
jamais deixarão que esqueça...
Do inferno que se transforma
quando estamos tão próximos um do outro.

Volúpia

Respira-me,
Cheire-me,
...abraça-me,
envolva-me,
macia e molhada...
Massageie-me,
pegue-me,
solte-me,
pucha-me.
Tão abrasivo a boca silencia,
...a língua é frenética.
Respira fundo, ao fundo chega,
Golpeia, suspira, regozija,
...torna a golpear.
Ofegante e graciosa,
a espera da tempestade chegar,
...num estrondo de trovão,
teus olhos a lagrimar,
tão lindos da chuva tomam,
..."pois quem a chuva sai
da chuva é para se molhar".

A Vida Nua e Crua!

É desse nosso jeito sem jeito que ajeitamos nossas vidas.
De um jeitinho safado, goxtoso e manhoso, às vezes queixo duro, às vezes "Agridoce" que temperamos prazerosamente os nossos dias!

Pureza

É na pureza da minha tristeza que me reencontro, só me perco mesmo é no desencanto.

Às vezes Cansa

Às vezes o cansaço não é de corpo, de físico... é de pessoas.

Gentileza

Seja fluente em gentileza, já há muito poliglota em estupidez por ai...

Siga Sempre Sorrindo

Não deixe teu sorriso em pessoas ou "amigos" que não o valoriza. Siga com ele mas, sempre a mostra.

Personalidade e Elegância

Tenho aprendido a me vestir do mais elegante sorriso, mas calçado da segurança do foda-se.

É de longe a mais bonita!

Há tanta coisa ainda a ser dita, mas,
ficar em silêncio ouvindo a tua voz
me contar sobre o teu dia…
É de longe a mais bonita!

Segredos

Tu és fascínio na forma da perfeição feminina.
És o desejo oculto em meu corpo, és segredo que pouco a pouco decifro, és enigma que desvendo e revelo em meio a gemidos e sussurros e prazer…

Crônicas de Sade I

Menina...

Se um dia não souber mais o que falar,
se com palavras não puder mais se expressar,
nos ler, nos entender.
Se o mundo roubar-te o sorriso, roubar-te a alegria
e fazer-te engasgar com as palavras
que de dor e por dor não saem.
Sente-se no meu colo menina
e em silêncio me abrace,
apenas venha pro meu colo
e deixe que teus olhos me falem de ti,
deixe que os teus lábios falem por ti,
conforte teu rosto em meu peito
e deixe-o falar por ti…
E deixe que meus braços e abraços falem para ti.

Dividir a Alma a Dois

Nada faz tão bem como o rir, mas rir com alguém que sorri igual ao seu, é dividir a alma a dois.

Empatia

não se vê hoje em dia,
mesmo que tudo se finda,
Trocar-se-á por apatia.
O futuro nebuloso já predizia,
não se sabe ao certo ainda,
mas esta escasso a empatia.
Não há formula produzida,
nem empatia pela própria vida.

Versos Teus, Tão Meus

Entre sílabas do teu corpo despido em versos reinvento-me, reescrevo-me em poesia ao inverso.

Só de Você!

Vez ou outra me bate aquela vontade de lhe dizer tudo o que sinto, tudo o que vive em turbulência dentro de mim… Já pensei em lhe escrever cartas, já pensei em botar no papel tudo aquilo que em mim transborda olhar afora. Todos os meus medos, todos os meus segredos, todos os meus desejos, todos os planos nos quais incluem você, tudo o que faz coçar a minha alma. Mas quando você chega, bota tudo a perder, pois já não necessito das palavras.

Dever

As pessoas tem o direito de ser o que quiser... Eu, o dever de ser excepcionalmente melhor do que fui a um minuto atrás.
 

Sobre Você

Sim, é sobre você;
Agridoce sabor do pecado,
me faz sofrer;
doer, pulsar, desfalecer,
em teu leito, teus braços.

Sobre você;

Sim, é sobre você;
Eu... Nós... Nosso;
cheiros... Desejos, instintos,
bocas, suores; ruídos,
Frenético, gostoso compasso.

Sem juízo... do proibido
pele, carne... mordidos...
Corpos traídos... Tremidos
Corpos, prazeres... Libido.

Sobre você;

Macia e quente... Molhados.
Colados... Calor indecente,
Atraente... Chama ardente,
Sussurros... Rangidos... Gemidos.

Prazeroso... Lascivo;
provoco seus fluidos,
divino e límpido,
Provo do fruto proibido.

Sofro... Sofrer...
Doer de amar, de amor,
com você a onde der;
No peito... Barriga, onde quiser
Te amar, fazer amor... Onde for.

É... Sobre você;

Sim, é sobre você;
Meus poemas,
Meus dilemas,
meu querer e se...

Se você... Sapeca, pestinha,
meu delírio, meu vício,
minha, meu desjuízo,
Hoje, amanha, sempre minha.

Se gosto? - Não, eu enlouqueço;
Se penso? - Não, eu estremeço,
Se desejo? - Sim, eu confesso!
Se a amo? - Até no meu avesso!

É sobre você;
meu querer,
meu prazer,
meu eu, meu ser.