Busquei no longínquo do espaço
o fulgor extinto de minh’alma,
onde a matéria escura repousa,
e o tempo segue em compasso.
Lá, onde as nebulosas tecem seu véu.
onde os astros se forjam em fogo,
procurei-me, nas cinzas do tempo,
a gênese antiga da vida no céu.
Quis decifrar as regras do jogo,
a origem dos mundos em brasa,
o verbo calado nas trevas,
antes da luz rasgar-se em fogo.
Lá, onde planetas despertam no nada,
procurei, a essência do tempo,
do espaço, a tecer seu manto,
a gênese antiga da vida sonhada.
Mas ainda ecoa, sutil, a questão:
de onde eu vim, para onde vou,
um ser mutável: e o que sou?
O que fica, senão a interrogação?
São perguntas que rasgam o tempo,
inscritas nas vísceras do pó sideral,
sussurros eternos, e ao vento,
num canto tão fugaz, e imortal.
Entre poeira e eternidade,
o silêncio e a explosão,
eco existencial, a trindade.
Mas nas brumas do verbo,
ecoa errante na vastidão,
o tempo o espaço e o verso.