Confidências II

Começo por dizer: - Poderia eu ter sido um anjinho doce, mas me desculpe, não nasci para ser meigo!
Nas horas naus, pego-me em pé a pensar, fitando pela janela o mundo lá fora. A vida, irônica, nos molda conforme seus caprichos, como um magistral escultor esculpindo figuras nas nuvens passageiras do crepúsculo, que em vão tentam esconder a bela palidez do luar. Se tu, senhorita, soubesses as coisas que me aquecem nestas gélidas noites de inverno. Tais são como as brasas que cintilam nas chamas crepitantes do braseiro quando o remexo com o tridente, um fogo secreto que consome silenciosamente a solidão da minh'alma nestas noites frias. Mas não, guardo-os no abismo do meu ser, um tesouro secreto, oculto até mesmo das estrelas que espiam curiosas por entre as brechas das nuvens.
E assim, aqui estou, diante de ti, revelando apenas fragmentos da minha verdadeira essência, envolto na sombra do mistério que me define. Pois não sou apenas um homem de aço e pedra, mas também um ser de sonhos e desejos, cujas confidências são tão frágeis quanto as asas de uma borboleta em um vendaval de emoções.

TO BE...