Há certa sonolência na sociedade: pessoas vagam numa espécie de sonambulismo desperto; em sono profundo, embora de olhos abertos. É o teatro da vida, com o livre-arbítrio ensaiado. Cada personagem com sua máscara.
As palavras atravessam a rotina como vento leve que sopra entre becos sujos; recolhem sentidos e sentimentos, sem pressa, em meio à vida comum e seus ruídos. Algo simples transforma instantes em pensamento — aquilo que chamamos de ideia.
Vivemos numa era onde as pessoas são tão cheias de razão e tão vazias de si. O pior, porém, vem daqueles que abdicam da realidade para habitar um mundo imaginário — por vezes autoritário, talvez confortável para si, mas sempre opressivo para os outros. Aí não há diálogo: há imposição de vontade. E quando o bom senso deveria prevalecer, voltamos ao início: são tão cheias de “razão” e tão vazias de si.