Cada passo teu ressoa como feitiço, dissolvendo as margens do que sou.
Tento manter-me na escrita — mas as letras tremem, hesitam, falham.
O balanço hipnótico dos teus quadris desarma meu verbo, dispersa minhas rimas.
É um balé blasfemo que me despe da razão.
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Jogo favorito II
O balanço hipnótico dos teus quadris invade meus pensamentos, dissolvendo palavras antes mesmo de elas tocarem o papel.
Tento escrever, mas é o pecado do teu andar que desliza por minha mente, roubando-me a razão.
Tento escrever, mas é o pecado do teu andar que desliza por minha mente, roubando-me a razão.
Jogo favorito III
À frente, uma janela — belo contraste com o entardecer. A luz da tarde desenhas-te com reverência. Os raios alaranjados do sol revelam teus contornos, enquanto teu olhar vaga distraído: olhar de quem apenas vive... mas vive como um espetáculo íntimo, só para ti.
Jogo favorito IV
A passos leves, quase sagrados, graciosos e sensuais, teus quadris balançam num compasso lento, dançam num desfile cruel, tão naturalmente erótico que até o silêncio suspira. És a encarnação do feitiço que se derrama em mim.
Jogo favorito V
O contraste daquele sorriso angelical com o desejo quase pagão que tua presença desperta é um tipo de tortura bela, uma poesia coesa, versos atravessados entre presente e devaneio.
Jogo favorito VI
És como uma valsa, uma dança do acasalamento — um jogo perigoso que, majestosamente, sabes jogar.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.
Jogo favorito VII
Meus olhos pousam em tuas pernas desnudas, atrevidamente descobertas.
Tua pele bronzeada, os pelos eriçados — meu desejo arde em labaredas contidas, inflamadas por chamas inconfessas.
Tua pele bronzeada, os pelos eriçados — meu desejo arde em labaredas contidas, inflamadas por chamas inconfessas.
Jogo favorito VIII
Escorregas para o meu colo, sentando-te como quem reclama um trono.
— “Fale algo bonito para mim...” — sussurras.
— “Tu és o poema que me arranca a lucidez,” — digo, arfando. Sorris, remexendo devagar.
— “Então, declama-me...” — diz mordendo o lábio.
Uma métrica perfeita, libidinosamente obedecida, sílaba por sílaba, tercetos e quartetos das tuas rimas.
— “Fale algo bonito para mim...” — sussurras.
— “Tu és o poema que me arranca a lucidez,” — digo, arfando. Sorris, remexendo devagar.
— “Então, declama-me...” — diz mordendo o lábio.
Uma métrica perfeita, libidinosamente obedecida, sílaba por sílaba, tercetos e quartetos das tuas rimas.
Jogo favorito IX
Sussurras quase inaudível, enquanto arrastas minha mão para teu recôndito paraíso — um jardim de névoas úmidas.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.
Completar
O completar de que falo não é porque algo nos falte, nem porque haja uma peça ausente no quebra-cabeça. O completar de que falo é sobre pele, sobre encaixe, sobre dividir — e jamais subtrair. É encaixe na alma do outro; é dividir risos, os dias, as manhãs, as semanas e os fins de tarde… é dividir a Vida!
Coração Regente
O amor constrói pontes, ergue castelos e jardins, cultiva flores e frutos de paz, forja reinos onde o coração, outrora vassalo, repousa agora soberano — e, em seu trono, rende lealdade ao próprio mistério que o deu à luz.
Depois do Café da Manhã: – Ele
No vapor daquela xícara,
Com o leite a esfriar,
O rosto dela a esmorecer,
Na meia luz do lugar.
Tão sereno, tão distante,
Algo a entorpecer.
Ele respira o ar sem pressa,
Tentando não se desfazer.
O cheiro do pão na chapa,
Doce, a envolvê-lo.
Um "oi" preso na garganta
Lutava por se soltar,
Mas o medo, velho amigo,
Insistia em calá-lo.
Fez do riso seu abrigo
Para tentar se aproximar.
Ela olhou — ele a viu, juro!
Raio de sol se fez a brilhar
No seu cabelo solto,
Os pensamentos a embriagar.
E o perfume o invadia
O deixou quase etéreo.
Foi ali que o coração
Desandou num tom sincero.
Voltou para casa no silêncio,
Com saudade do que foi.
Um instante entre mil horas,
Um segundo, e nada depois...
Ficou preso no começo,
No calor daquele "oi".
☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ele
História contada em Poema, continuação das aldravias.
Depois do Café da Manhã: – Ela
Era chuva sobre a alma,
Era tarde ou manhã.
Ela ali estava por impulso,
Carrega dor na mesma lã.
A fumaça do café
Toda em bruma, lhe enganã.
Então soa o sino
som e aroma temporã.
Ele ali, tão visível...
Sem pinta de galã.
Entre o fechar da porta
Eles se viram — e mais que fã.
No copo a tilintar,
O burburinho do pão,
Ela sentiu o ar se embarcar
De um perfume que era novo,
Não na essência do cheiro,
Mas no jeito de ser povo.
O olhar dele era lento,
Feito vinho antes do estorvo.
Ficou muda, meio tonta,
Sem saber o que dizer.
Um sorriso quis nascer,
Mas morreu no se perder.
Hesitou entre o encanto
E o medo de se envolver.
A luz fraca da janela
No balcão a esvanecer.
Soltou um “oi” disfarçado,
E ele a respondeu.
Na xícara entre os dois
Um destino se acendeu.
Um coração na espuma do café
Com um adeus a predizer.
Ela foge de si tão cedo,
Que até hoje a se esconder.
☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ela
História contada em Poema, continuação das aldravias.
Soturno
Se for amor, não se pode ver!
Se for dor, tão pouco se sente!
Se for sorriso, seja condescendente!
Se for devaneio, como saber?
Ao tomar a vida por viver...
Se for o único meio, a escuridão...
Se for, não poder com o coração.
Se for inferno, amor não pode ser!
Se for inverno transitando a primavera?
Se for... Será devaneio colocar-se contra a dor.
Se for a morte ceifando do mundo todo o amor?
Se for assim tão contrário, o céu me espera!
Se estiver nos bosques a nova esperança?
Se for ponto de vista, solto aos anos?
Se for mortal a oração com enganos?
Se for assim, sirva-se de mim, doce criança.
Se for aquele de onde sopra o vento...
Se for da alma, por que gozo de dores?
Virgem tua imagem, em noites de fulgores,
Banhas minh'alma e a rota tento.
Se for amor, por que mágoa tanto?
Se amas rude o peito, dás à ilusão,
Que fazes o dia um copo de pranto.
O que poderei sem poder?
Se está presa em mim a noite,
Para matar-me soturno o bem-querer.
O que podereis contra o açoite?
Deita-me a lança do perder...
Até que a criança se afoite...
- 10/06/1996
*Poema elaborado com inspiração nas obras de Luís Vaz de Camões.
Trata-se de um projeto escolar desenvolvido há muitos anos.
É de longe a mais bonita!
Há tanta coisa ainda a ser dita, mas,
ficar em silêncio ouvindo a tua voz
me contar sobre o teu dia…
É de longe a mais bonita!
d'Ventura
Numa estrada destas perdidas,
encontramo-nos os dois, sem querer.
Fitaste-me com ternura... combalida,
em teu olhar vi me perder.
Vínhamos desajeitados da vida,
e peguei-me ao teu sorriso observar.
Tímidos rimos da estrada desconhecida,
mas desconhecido é o caminho para o mar.
Ah! O teu olhar, o teu sorriso.
Visões sob luar noite adentro,
foi saudade, alegria, foi tormento,
Impossível sonho; foi meu abrigo.
Se desejares saber eu friso,
pensavas em ti todo momento.
Causavas dessossego, também alento,
pois em teu sorrir; "fez-se o paraíso".
Trocávamos risos, dividíamos emoções.
Quão lindos dias vividos em ternura.
Tornávamo-nos suave; jornada e corações.
Poetávamos o amor em sua forma e candura,
uma valsa a bailar como voo de balões.
E pelo vento assim veio o Amor, por ventura
Amar:
Cheiro bom.
Cheiro de pele.
Gosto salgado.
Gosto doce.
Cheiro misturado.
Gosto bom!
Misturado ao suor.
Escorrendo pela vida,
um fino fio condutor.