Café da Manhã — Ele

1. — Entrada
ele
entra
entre
um
sorriso
discreto

2. — Olhares
xícara
vapor
olhar
perscruta
lento
desejo

3. — Inusitado
leve
brisa
esparsa
aroma
pela
porta

4. — Atmosfera
ele
respira
o
ar
de
ela

5. — Sutileza
cheiro
doce
perfume
acende
curiosidade
viva

6. — Destino
olhares
cruzam-se
e
o
destino
sela

7. — Invisível
sorriso
tímido
responde
aos
olhos
tagarelas

8. — Enlace
olhos
enredam-se
silêncio
profundo
sem
retorno

9. — Rompimento
um
leve
"oi"
voa
entre
medo

10. — Coração
esperança
desperta
mente
turbilhão
alerta
coração



☕ Café da Manhã — Ele
história contada em aldravias

Café da Manhã — Ela

1. — Chegada
chuva
forte
fria
molha
minha
alma

2. — Instante
café
quente
mãos
tremem
porta
abre

3. — Susto
um
susto
busca
o
olhar
transido

4. — Presença
ali
suspenso
no
ar
um
estranho

5. — Perfume
aroma
sutil
inusitado
invade
minhas
memórias

6. — Olhares
olhares
tocam-se
sem
palavras
tempo
para

7. — Sorriso
hesito
escondo-me
na
boca
curva
calada

8. — Mente
vagueia
em
mil
palavras
não
ditas

9. — Voz
um
"oi"
quebrado
flutua
tímido
incerto

10. — Coração
coração
vivo
pulsa
assustado
esperando
resposta



☕ Café da Manhã — Ela
história contada em aldravias

Depois do Café da Manhã: – Ele

No vapor daquela xícara,
Com o leite a esfriar,
O rosto dela a esmorecer,
Na meia luz do lugar.
Tão sereno, tão distante,
Algo a entorpecer.

Ele respira o ar sem pressa,
Tentando não se desfazer.
O cheiro do pão na chapa,
Doce, a envolvê-lo.
Um "oi" preso na garganta
Lutava por se soltar,
Mas o medo, velho amigo,
Insistia em calá-lo.
Fez do riso seu abrigo
Para tentar se aproximar.

Ela olhou — ele a viu, juro!
Raio de sol se fez a brilhar
No seu cabelo solto,
Os pensamentos a embriagar.
E o perfume o invadia
O deixou quase etéreo.
Foi ali que o coração
Desandou num tom sincero.

Voltou para casa no silêncio,
Com saudade do que foi.
Um instante entre mil horas,
Um segundo, e nada depois...
Ficou preso no começo,
No calor daquele "oi".



☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ele
História contada em Poema, continuação das aldravias.

Depois do Café da Manhã: – Ela

Era chuva sobre a alma,
Era tarde ou manhã.
Ela ali estava por impulso,
Carrega dor na mesma lã.
A fumaça do café
Toda em bruma, lhe enganã.
Então soa o sino
som e aroma temporã. 

Ele ali, tão visível...
Sem pinta de galã.
Entre o fechar da porta
Eles se viram — e mais que fã.
No copo a tilintar,
O burburinho do pão,
Ela sentiu o ar se embarcar
De um perfume que era novo,
Não na essência do cheiro,
Mas no jeito de ser povo.
O olhar dele era lento,
Feito vinho antes do estorvo.

Ficou muda, meio tonta,
Sem saber o que dizer.
Um sorriso quis nascer,
Mas morreu no se perder.
Hesitou entre o encanto
E o medo de se envolver.
A luz fraca da janela
No balcão a esvanecer.

Soltou um “oi” disfarçado,
E ele a respondeu.
Na xícara entre os dois
Um destino se acendeu.
Um coração na espuma do café
Com um adeus a predizer.
Ela foge de si tão cedo,
Que até hoje a se esconder.



☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ela
História contada em Poema, continuação das aldravias.

Epílogo (uníssono)

Do café só restam marcas
nas bordas de um coração,
duas bocas sem coragem,
dois desejos sem razão.
Mas quem cruza o mesmo sonho
já conhece a direção...



Epílogo (uníssono)  
Poema: Depois do Café da Manhã ☕