Depois do Café da Manhã: – Ele

No vapor daquela xícara,
Com o leite a esfriar,
O rosto dela a esmorecer,
Na meia luz do lugar.
Tão sereno, tão distante,
Algo a entorpecer.

Ele respira o ar sem pressa,
Tentando não se desfazer.
O cheiro do pão na chapa,
Doce, a envolvê-lo.
Um "oi" preso na garganta
Lutava por se soltar,
Mas o medo, velho amigo,
Insistia em calá-lo.
Fez do riso seu abrigo
Para tentar se aproximar.

Ela olhou — ele a viu, juro!
Raio de sol se fez a brilhar
No seu cabelo solto,
Os pensamentos a embriagar.
E o perfume o invadia
O deixou quase etéreo.
Foi ali que o coração
Desandou num tom sincero.

Voltou para casa no silêncio,
Com saudade do que foi.
Um instante entre mil horas,
Um segundo, e nada depois...
Ficou preso no começo,
No calor daquele "oi".



☕ Poema: Depois do Café da Manhã: – Ele
História contada em Poema, continuação das aldravias.