Jogo favorito III

À frente, uma janela — belo contraste com o entardecer. A luz da tarde desenhas-te com reverência. Os raios alaranjados do sol revelam teus contornos, enquanto teu olhar vaga distraído: olhar de quem apenas vive... mas vive como um espetáculo íntimo, só para ti.

Jogo favorito IV

A passos leves, quase sagrados, graciosos e sensuais, teus quadris balançam num compasso lento, dançam num desfile cruel, tão naturalmente erótico que até o silêncio suspira. És a encarnação do feitiço que se derrama em mim.

Jogo favorito V

O contraste daquele sorriso angelical com o desejo quase pagão que tua presença desperta é um tipo de tortura bela, uma poesia coesa, versos atravessados entre presente e devaneio.

Jogo favorito VI

És como uma valsa, uma dança do acasalamento — um jogo perigoso que, majestosamente, sabes jogar.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.

Jogo favorito VII

Meus olhos pousam em tuas pernas desnudas, atrevidamente descobertas.
Tua pele bronzeada, os pelos eriçados — meu desejo arde em labaredas contidas, inflamadas por chamas inconfessas.

Jogo favorito VIII

Escorregas para o meu colo, sentando-te como quem reclama um trono.
— “Fale algo bonito para mim...” — sussurras.
— “Tu és o poema que me arranca a lucidez,” — digo, arfando. Sorris, remexendo devagar.
— “Então, declama-me...” — diz mordendo o lábio.
Uma métrica perfeita, libidinosamente obedecida, sílaba por sílaba, tercetos e quartetos das tuas rimas.

Jogo favorito IX

Sussurras quase inaudível, enquanto arrastas minha mão para teu recôndito paraíso — um jardim de névoas úmidas.
— “Escreva-me com os dedos”, — exiges.
Meu corpo obedece — sou a pena que desliza nas entrelinhas do teu prazer.

Vazios de Si:

Vivemos numa era onde as pessoas são tão cheias de razão e tão vazias de si.
O pior, porém, vem daqueles que abdicam da realidade
para habitar um mundo imaginário —
por vezes autoritário, talvez confortável para si,
mas sempre opressivo para os outros.
Aí não há diálogo: há imposição de vontade.
E quando o bom senso deveria prevalecer,
voltamos ao início:
são tão cheias de “razão”
e tão vazias de si.

Quem trilha só o próprio caminho aprende que a solidão é o preço a pagar.

Estradas prontas

Muitos seguem estradas prontas; poucos têm coragem de encarar o próprio destino.