A Lavra de Si
Não há plenitude sem que se rasgue o campo e se lavre, em si, o solo fértil da autenticidade.
Ruídos Noturnos
Na calada da noite, vêm barulhos mudos — mas ensurdecedores — que a minha mente produz.
Ecos:
Que não nos tornemos surdos ao clamor do tempo, cegos diante da injustiça,
nem mudos perante a verdade.
Que não sejamos ecos da caverna de Platão, preferindo o conforto das sombras à dor de enxergar.
nem mudos perante a verdade.
Que não sejamos ecos da caverna de Platão, preferindo o conforto das sombras à dor de enxergar.
Jogo favorito I
Cada passo teu ressoa como feitiço, dissolvendo as margens do que sou.
Tento manter-me na escrita — mas as letras tremem, hesitam, falham.
O balanço hipnótico dos teus quadris desarma meu verbo, dispersa minhas rimas.
É um balé blasfemo que me despe da razão.
Tento manter-me na escrita — mas as letras tremem, hesitam, falham.
O balanço hipnótico dos teus quadris desarma meu verbo, dispersa minhas rimas.
É um balé blasfemo que me despe da razão.
Jogo favorito II
O balanço hipnótico dos teus quadris invade meus pensamentos, dissolvendo palavras antes mesmo de elas tocarem o papel.
Tento escrever, mas é o pecado do teu andar que desliza por minha mente, roubando-me a razão.
Tento escrever, mas é o pecado do teu andar que desliza por minha mente, roubando-me a razão.
Jogo favorito III
À frente, uma janela — belo contraste com o entardecer. A luz da tarde desenhas-te com reverência. Os raios alaranjados do sol revelam teus contornos, enquanto teu olhar vaga distraído: olhar de quem apenas vive... mas vive como um espetáculo íntimo, só para ti.
Jogo favorito IV
A passos leves, quase sagrados, graciosos e sensuais, teus quadris balançam num compasso lento, dançam num desfile cruel, tão naturalmente erótico que até o silêncio suspira. És a encarnação do feitiço que se derrama em mim.
Jogo favorito V
O contraste daquele sorriso angelical com o desejo quase pagão que tua presença desperta é um tipo de tortura bela, uma poesia coesa, versos atravessados entre presente e devaneio.
Jogo favorito VI
És como uma valsa, uma dança do acasalamento — um jogo perigoso que, majestosamente, sabes jogar.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.
Mas tua presença é um golpe baixo — e acerta onde o fogo habita.
Minha mão ainda segura a caneta, mas minha escrita já traça versos por entre tuas coxas.