Guarda-te

Não te percas de ti mesmo; nem deixes que extingam o brilho que te habita.

Essências

Nunca se perca da sua essência, e jamais permita que apaguem sua chama.

Em Vós

Sendo amar-vos minha perdição, procurai-me nas sinuosas curvas de vosso riso.

O poeta contra o tempo

Diante da frieza do tempo, que passa sem remorso —
a angústia da finitude.


O poema é estático;
mas o tempo, carrasco, segue em fluxo.


E nessa discrepância entre obra e vida,
tudo escorre pelas linhas do tempo —
e o poeta, impotente, apenas escreve.

O desbotar

Um poema que carrega o próprio cansaço não esbraveja contra o tempo; apenas observa — com a lucidez amarga do seu dissabor.

Às Margens de Mim

Entre o que sinto e o que dele sei, há uma vastidão quase infinita de excentricidades.

A Lavra de Si

Não há plenitude sem que se rasgue o campo e se lavre, em si, o solo fértil da autenticidade.

Raízes do Ser

Vive-se em plenitude quando o ser se assenta no solo fértil da autenticidade.

Ruídos Noturnos

Na calada da noite, vêm barulhos mudos — mas ensurdecedores — que a minha mente produz.

Ecos:

Que não nos tornemos surdos ao clamor do tempo, cegos diante da injustiça,
nem mudos perante a verdade.
Que não sejamos ecos da caverna de Platão, preferindo o conforto das sombras à dor de enxergar.