Mariposas
A luz atrai as mariposas, mas o seu calor queima suas asas e as derruba. Jamais permita que a sua luz se apague. Aqueça corações.
Silêncio ante o Caos
Sim, se tem algo que aprendi — e valorizo profundamente — é não permitir que o comportamento dos outros envenene minha mente, adoeça meu estado de espírito ou apodreça minha alma. E sigo, ainda, nesse exercício constante.
Simplicidade
A felicidade pode estar num sorriso. Numa brisa leve, no vento que embala as folhas. Pode voar com um beija-flor, ou repousar na companhia de um pet. Pode estar num simples bom dia, numa boa tarde ou boa noite.
A felicidade pode viver num singelo — mas verdadeiro — abraço.
Ghost Love Story
Teus olhos esmeralda
não merecem des’águas,
que, em pranto e mágoas,
vertes silêncio — em calda.
Não chovas sobre mim,
não os deixes correr,
da mácula do teu ser,
que envenena teu jardim.
Não mateis minha sede,
nem me concedas fé;
pois puro veneno és —
tal dor que me sucede.
Tal luz vem de fora,
nas trevas a fulgir,
a coragem compelir,
d’alma morta d’outrora.
Quase posso sentir,
quando tocas meu rosto,
frio como o encosto —
tenho um rumo a seguir.
Tanta vida há lá fora —
e, cá dentro, nada mais.
Só a prece, só a paz,
que adoece quando choras.
Nada, nada há que consumir.
Tantas flores nesta cripta,
já sem lume, sem escrita —
nada mais em ti possa florir.
Tanta alegria na solidão,
que, em meu pesadelo,
cá dentro, em apelo,
só me alcança a escuridão.
Nem meu sono há de dormir.
D'este segredo, ademais,
que há onze anos portais —
roubam-me todo o sorrir.
Parece-te tão linda,
o que me desatina —
tal sombra não finda.
Tanto há por sentir,
mas nada há, cá dentro,
nem o rumo do advento
em nenhum possas ir.
Não reacendais esperanças,
não toqueis os esquecidos,
pois estes olhos enegrecidos
despertam-me lembranças.
Permita-me seguir.
Não chores sobre mim.
Pois, cá, demônios vis
hão de me consumir.
_ 🌒🌹 _
Uma Dedicatória... 📖
Aos góticos — luto e alma ferida,
que amam à beira da despedida,
que tocam a morte como canção
e oram prantos em devoção.
A vós, que ouvis o que silencia,
que encontrais beleza na agonia,
e cultivas flores em cripta escura,
onde a dor é arte, e a arte é cura.
Este poema vos pertence, então —
não só lamento, mas invocação:
dança espectral, de dois abismos,
um feito de amor, outro — lirismo.
Que tais palavras, com frio e ardor,
ressoem em vós como antigo amor;
como um calor que, sob o jazigo,
ainda persiste, dormindo contigo.
— Deixo aqui minha dedicatória aos que, este mundo, habitam — belas almas, amantes da poesia.
Foi por este mundo que me prostrei, e pela poesia, palavra me tornei. 📖🌹
Aos Poetas
O poeta escreve como quem chora — palavras em lágrimas que mergulham nas raízes do mundo, florescendo no jardim silencioso d’alma: sua essência, a existência de seu eu indizível.
Há caminhos
Há caminhos que não nos levam a lugar algum, e outros que nos levam de volta a nós mesmos.
Realidade Relacional
Há algo que filósofos, sociólogos e cientistas vêm repetindo há séculos:
O mundo se organiza em redes de influência.
Se você joga verdade, compaixão, honestidade na rede — ela se fortalece.
Se você joga mentira, egoísmo, crueldade — o sistema inteiro apodrece.
Isso independe de religião.
É um sistema humano.
É realidade relacional.
Para o Bem ou para o Mal
O Bem e o Mal: duas redes paralelas.
É um ciclo vicioso e inconsciente. Somos parte de um sistema de rede humana — uma realidade relacional. Uma rede do bem. Mas isso também se aplica ao mal.
Fragmento(s)
Há uma inquietude ancestral que ronda os que amam — como um sussurro que vem como uma brisa fria, causando desconforto antes mesmo do gesto.
Amar é equilibrar-se à beira do penhasco; é abrir-se à vertigem d'alma, ao risco do indizível, ao veneno doce que fermenta e se fragmenta entre os olhos e o silêncio.
Porque o amor, quando verdadeiro, não se diz sem que se trema. Ele toca onde a razão hesita e onde o espírito, mesmo em sua altivez, se curva ao mistério.
Há no amor um toque simultaneamente sombrio e iluminado, que nos puxa para fora — e, ao mesmo tempo, nos arrasta para dentro, como se estivéssemos sendo desvelados aos poucos pela mão invisível do tempo.
Aquele que, ao falar de seu amor sem se envenenar d’alma, nem se deixa enveredar pela natureza das coisas criadas, guarda em si uma certeza estéril — e perde, sem conhecer, a mais desconcertante das experiências humanas.
Pois o amor que não transforma — e não se transforma —, que não arde nem desfigura, é apenas sombra do que deveria ser.
Um amor que se explica demais torna-se cálculo matemático.
Um amor que não transborda, seca. Ou apodrece no cárcere da contenção.